Dan, este texto não é uma carta de despedida, nem uma reclamação. É um abraço que atravessa o tempo. É o reconhecimento de que cada pai e cada filha têm o seu número secreto. O nosso é 114. Pode ser o minuto em que o senhor me ensinou a andar de bicicleta (1 hora e 14 minutos de quedas e gargalhadas). Pode ser o verso do poema que o senhor nunca terminou, mas que começava assim: “Minha filha, se um dia eu faltar, procure-me no número 114 — estarei ali, à espera.”
E cresci. E o senhor envelheceu. E agora, quando o visito aos domingos, encontro-o a ouvir fado antigo e a resolver palavras cruzadas. Às vezes, sem querer, o lápis escorrega e o senhor escreve “Carina” nos espaços vazios. Pergunto-lhe o que é aquilo, e o senhor respira fundo, tira os óculos, e diz: “É o 114, minha filha. O espaço que faltava.”
Carina Rodrigues
Se este texto for um dia encontrado dentro de um ficheiro chamado “114 Minha Filha Carina Rodrigues Dan.rar” — descompactem-no com cuidado. Dentro, há mais do que palavras. Há o barulho do mar na Costa da Caparica, o cheiro a pão quente, uma fotografia desbotada de um homem e uma menina de mãos dadas, e o número 114 escrito em guardanapo de papel, dentro de uma gaveta chamada saudade.
Hoje, eu sou mãe. A minha filha mais nova fez três anos e, ao soprar as velas, pedi um desejo silencioso: que ela nunca precise esperar 114 dias sem ouvir a minha voz, como eu esperei pelos seus telefonemas quando o senhor trabalhou no estrangeiro. Lembro-me de contar cada dia num caderno xadrez. No dia 114, o senhor apareceu na estação de comboios com um casaco demasiado grande e um sorriso cansado. Apertei-o com tanta força que o senhor riu e disse: “Carina, não me quebre as costelas, menina. Ainda tenho de viver muito para a ver crescer.”
Querido Dan,
Com todo o amor que um número pode carregar,
Hoje, ao arrumar o velho armário do escritório, encontrei uma pasta amarela com o número 114 escrito à mão. Dentro, estavam as suas cartas — as que você me escreveu quando eu era pequena, antes de o mundo nos separar por longos anos. Lembrei-me de como o senhor sempre chamava a atenção para os detalhes: “Carina Rodrigues, minha filha, preste atenção ao número 114. É o autocarro que a leva para casa, é a página do livro onde guardei a fotografia do seu primeiro dia de escola, é a temperatura em graus do forno onde a sua avó assava o pão que a senhora tanto amava.”
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Dan, este texto não é uma carta de despedida, nem uma reclamação. É um abraço que atravessa o tempo. É o reconhecimento de que cada pai e cada filha têm o seu número secreto. O nosso é 114. Pode ser o minuto em que o senhor me ensinou a andar de bicicleta (1 hora e 14 minutos de quedas e gargalhadas). Pode ser o verso do poema que o senhor nunca terminou, mas que começava assim: “Minha filha, se um dia eu faltar, procure-me no número 114 — estarei ali, à espera.”
E cresci. E o senhor envelheceu. E agora, quando o visito aos domingos, encontro-o a ouvir fado antigo e a resolver palavras cruzadas. Às vezes, sem querer, o lápis escorrega e o senhor escreve “Carina” nos espaços vazios. Pergunto-lhe o que é aquilo, e o senhor respira fundo, tira os óculos, e diz: “É o 114, minha filha. O espaço que faltava.” 114 Minha Filha Carina Rodrigues Dan rar
Carina Rodrigues
Se este texto for um dia encontrado dentro de um ficheiro chamado “114 Minha Filha Carina Rodrigues Dan.rar” — descompactem-no com cuidado. Dentro, há mais do que palavras. Há o barulho do mar na Costa da Caparica, o cheiro a pão quente, uma fotografia desbotada de um homem e uma menina de mãos dadas, e o número 114 escrito em guardanapo de papel, dentro de uma gaveta chamada saudade. Dan, este texto não é uma carta de
Hoje, eu sou mãe. A minha filha mais nova fez três anos e, ao soprar as velas, pedi um desejo silencioso: que ela nunca precise esperar 114 dias sem ouvir a minha voz, como eu esperei pelos seus telefonemas quando o senhor trabalhou no estrangeiro. Lembro-me de contar cada dia num caderno xadrez. No dia 114, o senhor apareceu na estação de comboios com um casaco demasiado grande e um sorriso cansado. Apertei-o com tanta força que o senhor riu e disse: “Carina, não me quebre as costelas, menina. Ainda tenho de viver muito para a ver crescer.”
Querido Dan,
Com todo o amor que um número pode carregar,
Hoje, ao arrumar o velho armário do escritório, encontrei uma pasta amarela com o número 114 escrito à mão. Dentro, estavam as suas cartas — as que você me escreveu quando eu era pequena, antes de o mundo nos separar por longos anos. Lembrei-me de como o senhor sempre chamava a atenção para os detalhes: “Carina Rodrigues, minha filha, preste atenção ao número 114. É o autocarro que a leva para casa, é a página do livro onde guardei a fotografia do seu primeiro dia de escola, é a temperatura em graus do forno onde a sua avó assava o pão que a senhora tanto amava.” O nosso é 114
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